Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” (Paulo Freire)
Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a criança apresenta uma capacidade de raciocínio cada vez mais lógica e complexa, ainda de forma bastante concreta: vendo, tocando, sentindo e experimentando. Por isso, é imprescindível que as atividades de ensino propiciem a contagem, a leitura, a comparação, a análise, a interpretação, a revisão, a experimentação e a avaliação em situações de aprendizagem ativa. Dentro dessa lógica concreta, a criança começa a estar apta para avançar na compreensão sobre pensamento espacial, noções sobre causa e efeito, classificação e seriação, noção de conservação, operações matemáticas e interpretação de textos e códigos.
O desenvolvimento da criança nessa etapa também possibilita a consolidação de conceitos mais elaborados sobre ela mesma, bem como maior consciência de suas emoções e sentimentos; a criança pratica a verbalização, explicação e identificação das origens e causas desses sentimentos, tudo isso aplicado a suas relações sociais. Considerar as características do desenvolvimento das crianças nessa etapa é muito importante para que sejam criadas situações didáticas que respeitem essas especificidades e também as estimulem a avançar sempre.
A infância é um espaço-tempo da vida em que crianças de zero até doze anos observam, questionam, pesquisam e experienciam maneiras de participar e fazer parte dos grupos sociais que as cercam, por meio da investigação de suas dinâmicas e códigos. Elas se entrelaçam a esse mundo social, compõem a teia de relações que o constitui, deixam suas marcas de autenticidade e passam a construir esse mundo junto de seus pares. São, assim, autoras e protagonistas da própria vida.
A transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental é um dos marcadores temporais mais significativos da infância escolar. Muitas vezes, a passagem para o 1° ano vem acompanhada de uma importante mudança na rotina na escola no que diz respeito ao espaço físico, a interação com ele, com seus objetos e materiais, com os tempos e fazeres, com as propostas e situações didáticas.
Essa transição exige uma importante reflexão por parte da equipe escolar sobre integração e infância, para que ela aconteça de modo a prezar pela educação integral das crianças, dando continuidade a um caminho já iniciado, sem incorrer em rupturas ou descontinuidades. Ambientes e rotinas demasiadamente rígidas tendem a trazer insegurança nas crianças durante a sua permanência na escola, podendo gerar choro e outras manifestações de incômodo.
Desse modo, é importante que sejam previstas conexões com a Educação Infantil, prevendo a organização de uma rotina flexível que considere propostas diversas e ajustáveis para o acolhimento das crianças, respeitando o tempo de cada uma e suas subjetividades.
Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, a proposta da Cloe é a progressão das aprendizagens, articulando os percursos de aprendizagem nessa etapa com as experiências passadas, vividas nos anos anteriores e na Educação Infantil.
Essa articulação prevê tanto a ampliação sistematizada dessas experiências quanto o desenvolvimento pelos estudantes de novas formas de se relacionar, ler, formular hipóteses, testar, questionar, investigar, elaborar conclusões sobre o mundo e seus acontecimentos sociais e fenômenos, a partir de uma atitude ativa na construção desses conhecimentos.
Alfabetizar uma criança significa ensiná-la a ler e escrever. Por sua vez, o letramento se refere à aplicação, uso e compreensão das habilidades de decodificação de forma contextualizada, no ambiente social ao qual ela pertence.
Essas duas práticas são indissociáveis nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, uma vez que é esperado que a criança não apenas conheça os códigos linguísticos, mas que saiba ler a realidade que a cerca, seus tempos, espaços, linguagens e contextos. Para tanto, é importante que a escola seja ocupada enquanto um espaço de letramento, com ambientes adequados e menos formais de leitura, para além da biblioteca: cantinhos temáticos e aconchegantes e livros ao alcance das crianças são exemplos simples de como inserir a leitura no cotidiano da escola de forma prazerosa.
Na Cloe, o professor encontrará, nas expedições – de todas as áreas do conhecimento, e em especial nas de Língua Portuguesa –, propostas para construir junto das crianças um ambiente de letramento composto por diversos recursos, referências e um repertório de atividades que vão além da leitura em voz alta pelo professor, de forma a aproximar os estudantes da percepção do uso da leitura e da escrita como práticas sociais de linguagem.
Atividades impressas, interativas, de leitura, escrita, quizzes, jogos, dinâmicas, propostas individuais e em grupos e, no caso do 1º ano, atividades diversificadas fazem parte das aulas e são pensadas para que as crianças participem ativamente de sua aprendizagem acerca da leitura e da escrita.
O conhecimento científico é essencial para a compreensão e interpretação do mundo, dos processos e fenômenos da natureza, bem como para a resolução dos problemas em diversos contextos. A alfabetização científica, ou letramento científico, é um processo que visa a formação de um cidadão crítico, consciente e capaz de reconhecer a ciência como produto sociocultural, e de dominar e utilizar o conhecimento científico nas mais variadas atitudes, ações e valores.
A educação científica depende de contexto, incluindo o contexto sócio-histórico onde se insere e o contexto da vida do estudante. Nesse sentido, as Expedições de Ciências da Natureza na Cloe partem de um Problema do mundo real, que traz questões presentes no cotidiano do estudante, que por sua vez alicerçam a Questão norteadora e engajam para a realização da Conquista. Uma trajetória de ensino por investigação, onde o estudante é protagonista de seu desenvolvimento e o professor tem papel essencial na mediação do conhecimento. Os conceitos e temas das Expedições buscam aproximar e aprofundar o conhecimento científico com atividades que estimulam a curiosidade e ampliam a capacidade de questionar e criar hipóteses, de analisar e interpretar processos e fenômenos da natureza.
Espera-se assim que a educação científica proposta viabilize o contato com as bases científicas — a natureza da ciência, a linguagem científica e os aspectos sociocientíficos — e contribua para a formação e a cidadania engajada nos debates e tomadas de decisões, para uma maior compreensão do mundo e de si.
A educação cartográfica compõe a aprendizagem dos estudantes nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, a fim de garantir uma melhor leitura de mundo. Pensar, refletir e enxergar o espaço a partir dos primeiros anos escolares e na infância é fundamental para a construção da relação entre a criança e o território. Além de aproximar os estudantes dos mapas e facilitar a leitura e a comunicação por meio da semiologia gráfica desde a infância, o letramento cartográfico ocupa um espaço central nas abordagens didáticas e metodológicas nos estudos espaciais, como localizar, comparar e estabelecer conexões entre os fenômenos; identificar a distribuição dos eventos naturais e sociais pela Terra e do Ser Humano; estimular a curiosidade sobre as várias formas de medir as distâncias nas diferentes escalas do globo; e organizar e ordenar o pensamento espacial, como indica os princípios do raciocínio geográfico estabelecidos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017).
Na Cloe, os professores e estudantes têm contato com a cartografia por meio da elaboração de legendas, do estudo sobre o significado das cores e formas geométricas nos mapas, da compreensão sobre a composição dos elementos básicos que constituem um mapa, da lateralidade e orientação espacial. Para nortear os estudos, a Cloe oferece Questões norteadoras, presentes nas tríades das Expedições do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. Algumas das questões que direcionam a aprendizagem ativa e o letramento cartográfico são: Como compartilhar o que vemos e experimentamos ao longo do caminho para a escola? Como localizar espaços para brincar de formas diferentes daquelas às quais já estamos habituados? Como podemos representar, em um mapa, as vivências dos moradores do nosso bairro? Como podemos orientar os caminhos da nossa escola? De maneira ativa e propositiva, espera-se que os estudantes consigam trilhar pelas Expedições o desenvolvimento do olhar crítico e atento em relação ao espaço em que vivem, estudam e ocupam no mundo.
A matemática é também uma linguagem, ou seja, uma maneira de decodificar e ler o mundo. Segundo a BNCC, “O conhecimento matemático é necessário para todos os alunos da Educação Básica, seja por sua grande aplicação na sociedade contemporânea, seja pelas suas potencialidades na formação de cidadãos críticos, cientes de suas responsabilidades sociais”. Nesse sentido, é necessário assegurar que o processo de ensino-aprendizagem de matemática dos Anos Iniciais vá além dos algoritmos das quatro operações e convide o estudante a compreender o mundo e sua realidade por meio da matemática. Também é possível, pelo pensamento matemático, incentivar o pensamento criativo e visual, a partir do desenvolvimento de mentalidades matemáticas.
Na Cloe, as Expedições de matemática dos Anos Iniciais trazem reflexões que contribuem para a compreensão de como a matemática faz parte do cotidiano e nos oferece importantes ferramentas para lidar com o mundo, respondendo questões como: Como saber o quanto crescemos? Como usar os números das casas para nos localizar? Como descobrir se o desmatamento no Brasil está aumentando? De uma forma contextualizada e significativa, espera-se que o estudante, ao responder essas e outras questões, apreenda os significados dos objetos matemáticos e suas aplicações, estabelecendo conexões entre a matemática e a vida prática.
Referências Bibliográficas:
BRÄKLING, Kátia Lomba. As práticas sociais de leitura e escrita no processo de alfabetização. IN: Educação: fazer e aprender na cidade de São Paulo. São Paulo: SME, 2008.
dos Santos, Wildson Luiz Pereira. Educação científica na perspectiva de letramento como prática social: funções, princípios e desafios. Revista Brasileira de Educação, v. 12, n. 36, p. 474-550, set./dez. 2007.
Chassot, Attico. Alfabetização científica: uma possibilidade para a inclusão social. Revista Brasileira de Educação, v. 22, p. 89-100, jan/fev/mar/abr 2003.
Sasseron, Lúcia Helena; de Carvalho, Anna Maria Pessoa. Alfabetização científica: uma revisão bibliográfica. Investigações em Ensino de Ciências, v. 16, n. 1, p. 59-77, mar. 2011.
FONSECA, FERNADA PADOVESI. OLIVA, JAIME TADEU. A geografia e suas linguagens: o caso da cartografia. In CARLOS, ANA FANI ALEXANDRI (Org.) A geografia na sala de aula. 6ª ed. – São Paulo: Contexto, 2004. página 62 – 78.
SIMIELLI, MARIA ELENA RAMOS. Cartografia no ensino fundamental e médio. In CARLOS, ANA FANI ALEXANDRI (Org.) A geografia na sala de aula. 6ª ed. – São Paulo: Contexto, 2004. página 92 – 108.
LOPES, JADER JANER MOREIRA. MELLO, MARISOL BARENCO DE. Cartografia com crianças: lógicas e autorias infantis. Revista Brasileira de Educação em Geografia, Campinas, v. 7, n. 13, p. 67-78, jan./jun., 2017.
BNCC
Nesse período da vida, as crianças estão vivendo mudanças importantes em seu processo de desenvolvimento que repercutem em suas relações consigo mesmas, com os outros e com o mundo.” (BNCC)
A BNCC estabelece diretrizes importantes para que as práticas educativas nos Anos Iniciais sejam compreensivas em relação às intensas mudanças que vivem as crianças nesse período e, ao mesmo tempo, engajantes e desafiadoras. No infográfico, são apresentados alguns princípios pedagógicos da base que se desdobram de forma concreta e metodológica na Cloe, a partir dos diversos materiais didáticos.
O Ensino Fundamental – Anos Iniciais é marcado pela ampliação das práticas de linguagem e de experiências de aprendizagem, tendo em vista a progressão do conhecimento e desenvolvimento ao longo dos anos dessa etapa. O currículo essencial é apresentado aos estudantes em unidades de conteúdo coesas e multimodais que cobrem cada uma das disciplinas.
Na Cloe, o Ensino Fundamental cobre todas as competências da BNCC e, por meio da Matriz Camino, aprofunda e amplia cada uma de suas habilidades. A estrutura dessa etapa é pautada pela integralidade e modularidade e o conteúdo encoraja os estudantes a construírem suas aprendizagens de maneira ativa.
O material do 1° e 2° anos é centrado nas atividades escritas ou de interação, com conteúdo explicativo que privilegia suportes visuais e suportes textuais. Já o material do 3° ano ao 5° ano continua contemplando atividades com centralidade, mas com conteúdo explicativo marcado de maneira progressiva por suportes textuais.
Além das atividades, há a oferta de conteúdo didático voltado para o estudante, disposto na plataforma em 7 seções. Este conteúdo contempla as habilidades e conteúdos previstos para a unidade e é composto por texto e recursos audiovisuais, a fim de apresentar os conceitos de forma dinâmica e adequada à faixa etária.
O papel do conteúdo é servir de suporte para a apreensão dos contextos em que se aplicam os conceitos ou em que se desenvolvem os fatos a serem aprendidos, especificamente, para auxiliar na mobilização dos processos cognitivos, físico-motores ou socioemocionais desejados, seja por meio da ilustração, da provocação da reflexão ou do aprofundamento e pesquisa.
Nos Anos Iniciais, o conteúdo é trabalhado por meio de projetos, as Expedições Cloe. Utilizando um Problema do mundo real e uma Questão norteadora, essas Expedições convidam o estudante a se lançar em uma aventura que dispara e impulsiona o processo investigativo proposto. Ao final, todo o conhecimento adquirido é aplicado em um produto final que comunica a aprendizagem: essa é a Conquista.
Para entender como a Cloe organiza e apresenta seus pilares pedagógicos nos materiais dos anos iniciais do Ensino Fundamental, assista ao vídeo.
As Expedições contêm conteúdo didático multimodal, atividades e avaliações voltadas aos estudantes. Além disso, há um conteúdo instrucional voltado para os professores com orientações didáticas e de mediações do processo de aprendizagem. Com este material é possível o acompanhamento mais preciso do processo de aprendizagem — tanto pelo estudante quanto pelos familiares e professores — trazendo mais clareza, consistência e constância para os envolvidos.
As Expedições Cloe de Ensino Fundamental – Anos iniciais cobrem as 32 semanas letivas e todas as competências e habilidades da BNCC (exceto Educação Física).
Os componentes podem ter Expedições com 8, 12 ou 16 aulas, que variam de acordo com a necessidade específica de cada área.
As Expedições são divididas em componentes curriculares:
Sabemos que cada escola organiza sua carga horária de forma única, mas considerando as competências e habilidades estabelecidas para os anos iniciais, a Cloe tem uma sugestão de distribuição de aulas de 50 minutos.
| Componente curricular | Aulas por semana | Total de aulas por ano |
|---|---|---|
| Artes | 2 aulas | 64 aulas |
| Ciências | 3 aulas | 96 aulas |
| G21 | 2 aulas | 64 aulas |
| Geografia | 2 aulas | 64 aulas |
| História | 2 aulas | 64 aulas |
| Língua Inglesa | 3 aulas | 96 aulas |
| Língua Portuguesa | 6 aulas | 192 aulas |
| Matemática | 6 aulas | 192 aulas |
Cada Expedição de Ensino Fundamental – Anos iniciais é composta por:
Observe a estrutura do material:

Atividade diagnóstica: Não vale nota e tem como objetivo avaliar o que os estudantes já sabem sobre os conteúdos e habilidades que serão mobilizados ao longo da Expedição.
Aulas de repertório: Uma vez que as Expedições dos Anos Iniciais podem ter 8, 12 ou 16 aulas, o número de aulas de repertório pode variar, mas sempre estão entre a aula convite e a aula de fechamento.
Atividades: De acordo com a intencionalidade de cada atividade, elas podem ser feitas em sala — com a mediação ou não do professor, individualmente, em duplas ou grupos — ou em casa. As atividades podem ser de registro, reflexão, discussão em duplas e grupos, desenho, produção de texto, leitura, interativas ou impressas. Em cada aula da Expedição há, no mínimo, uma atividade que mobiliza as habilidades da unidade.
Avaliação processual: O número de avaliações processuais varia entre 2 a 5, de acordo com o número de aulas da Expedição. Já o número de questões de cada avaliação varia de acordo com a faixa etária de cada ano, respeitando a autonomia e desenvolvimento dos estudantes. As Avaliações processuais podem ter o formato de questões dissertativas ou de múltipla-escolha.
Avaliação Final: Tem questões que mobilizam as habilidades e competências com a mesma estrutura da atividade diagnóstica. Assim, professores e estudantes conseguem visualizar de forma mais concreta o percurso de cada estudante, o que aprenderam durante a Expedição.
Ao acessar a Cloe, o professor encontrará a Expedição organizada em 2 seções: Ponto de partida e Expedição. A primeira seção é composta por informações fundamentais como tríade e habilidades que serão mobilizadas. Já a seção Expedição conta com o instrucional de cada aula e todas as atividades e avaliações que serão propostas. Para conhecer um pouco mais, acesse a anatomia da Cloe.
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